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sábado, 24 de outubro de 2009

Mães Judias (texto de Luís Fernando Veríssimo)

Diz que quatro mães judias se encontraram no céu. Como não podia deixar de ser, a conversa toda é sobre os filhos.


- Não posso me queixar - diz a primeira. - Meu filho, até hoje, só me deu felicidade. Um santo. E na Terra, por causa dele, todo mundo só fala em caridade, em virtude, em bons sentimentos.


- Seu filho é. . . ? - pergunta a segunda.
- Jesus Cristo! - diz a primeira. E, inclinando-se para frente, em tom confidencial e com um gesto que indica tudo em volta: - O dono disto aqui.
- Não é do pai dele?
- Bem. . . É da família.


Agora, alegria, alegria, quem me dá é o meu filho - diz a Segunda mãe. - Ach, como eu me orgulho dele. Na Terra, por causa dele, todo mundo só fala em justiça, em mudanças sociais, em solidariedade humana.
- Como é o nome dele?
- Karl. Karl Marx.
- Hmmm - fazem as outras, apertando a boca.
- O Shnuga - suspira a mãe de Marx, lembrando o seu apelido de bebê.


- E o meu filho? - diz a terceira - Um professor. Este sim é para uma mãe se orgulhar. Inteligeeeeeente! Um crânio. Na Terra, por causa dele, todo mundo só fala no Universo, na relatividade, nos buracos negros. . .
- Quem é ele?
- O Beto.
- Beto?
- Einstein.
- Ah.


Falta falar a quarta mãe e as outras três se viram para ela.
- Eu nem quero falar porque vocês vão ficar com inveja de mim - diz ela.
- Fala.
- Que filho!
- Quem é?
- Um doutor.
- O que foi que ele fez?
- Por causa dele, na Terra, todo mundo só fala na mãe.


E a mãe de Freud fica sorrindo, deixando-se admirar pelas outras três.
Filho era aquele!





(Luís Fernando Veríssimo)