................................................... Ensaios e experimentos no universo das artes .............................................................

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Desdobramentos

A sensibilidade que se traduz assim...
Valeu, Andréa, por tudo, por muito...


Eis que o papel no acaso se tornou. De uma vez se fez um alguém, e enquanto as palavras traduziam-se em possibilidades, as ruas se escreviam como palavras. A luz cedeu lugar ao encontro. Casas transformaram-se em gestos, portões em emoções. Cores refizeram-se sensações. O que era certo virou raro, e inexato fez-se singular. Abrigado converteu-se em construído. A beleza se assumiu como clareza. O fiel se concretizou sublime. O sonho acordou e logo tratou de tornar-se realidade. Foi aí que a escrita revelou-se afinidade, o tempo ocupou-se de ser sentido, e o amor, transcendendo, declarou-se amizade.

(Andréa Silveira)

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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Revolução das Letras

Texto usado no artigo "Sublima-dor: considerações sobre dor e sublimação nos limites do pulsional", com a proposta de uma escrita que dá margem a outras significações, quando se faz a substituição das palavras à revelia dos seus desejos.


REVOLUÇÃO DAS LETRAS

Papel quis ser desencontro, viveiro transformou-se em silêncio. Abismo fez as vezes da luz, uma vez que vez cismou em ser morte. Ruas transfiguraram-se em letras, casas optaram por ser restos. Portões viraram buracos, e cores se firmaram como vazios. Certo decidiu ser cego. Escrita insistiu em ser dor. Abrigado se fez perdido. Caminho tomou o lugar da beleza. Nada substituiu o sonho. Fiel acabou sendo cruel. O amor fugiu e foi ser tempo. Enciumado, o tempo converteu-se em amor.


Assim sendo...


Era uma vez...

Um viveiro de palavras

Um distraído papel e...



Luz!



Por entre as ruas

Casas se espalham

Abrem seus portões

Criam cores infindas

Revelam o ponto certo

De um espaço abrigado

Na beleza entre o dito

E o que há de ser dito.



Nesse espaço

Surge ela.

É a escrita que vem

Essa escrita que não cala

Que gravita o sonho

No fiel tempo inexato do amor.


Priscila Catão
23/08/10
23h58