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domingo, 1 de agosto de 2010

Jazz e o 'jeitin' mineiro de se viver


Que Belo Horizonte só não é perfeita porque não tem praia, isso é fato. E é justamente diante dessa falta que o mineiro aproveita seus fins-de-semana em parques e praças, que no final das contas acaba virando um mar... de gente. Mas o que tanto os mineiros procuram nesses espaços públicos, tão estáticos e repletos de mesmice? Aí é onde Minas faz a diferença, sobretudo em julho, quando todos desengavetam seus sobretudos e vão curtir um friozinho. Frio básico, nem muito, nem pouco. A diferença é que, de quando em vez - e em julho, de vez em sempre - encontramos de surpresa os palcos lá montados (sim, de surpresa, porque quase nunca os eventos são amplamente divulgados!), e nos damos conta de que ali, bem ali na nossa frente, acontecerá uma apresentação teatral, de dança, ou musical. Uma peça infantil, uma dança contemporânea, ou - melhor ainda -um sambinha, um chorinho, um blues, ou um jazz. E pior ainda - de excelente qualidade!! Gente boa, como diria a professora Osmandina.


Neste final de semana foi-nos permitido experienciar um desses instantes extáticos na Praça do Papa, no festival I Love Jazz 2010, evento que traz músicos dos mais variados países (incluindo o Brasil) ao Brasil, passando por Belo Horizonte, São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro (fica a dica). Marcado seu início para as 17 horas, o público já se antecipara em se distribuir pela praça: sentados nas cadeiras do evento ou trazidas de casa, espalhados pela grama, alguns bem equipados com vinhos, taças, saca-rolhas e balde de gelo, para o tin-tin, outros só com o vinho e os copos de plástico mesmo, para o clap-clap.







Uns com olhos bem atentos, outros com ouvidos bem abertos, já dizia o Sérgio Sampaio. No fim, todos com a mesma intenção: curtir uma boa música, um belo tributo a Ella Fitzgerald com o grupo Happy Feet Jazz Band, uma variante vertiginosa do jazz ao blues com a argentina Antigua Jazz Band, e o bom e velho jazz americano do The Judy Carmichael Seven.
É incrível ver refletido o efeito que o jazz provoca nas pessoas com seu ritmo "fora de tempo", com seus instrumentos de sopro roucos, com seus instrumentos de percussão um tanto excêntricos. Um caminho entre o fascínio e a estranheza. É igualmente tocante observar esse estilo incialmente gerado no ventre dos guetos, dos pobres e dos negros, agora exaltado por ricos e brancos. Questão histórica mesmo. E questão de bom gosto. Uma bela história que não se deve deixar jamais esquecer. A alma negra habita o jazz, porque dela foi gerado, parido, e criado. Não nos esqueçamos disso, dessa força, essa intrigante força que a verdadeira boa música tem de atravessar, de persistir, de transcender, e de estar presente e ao vivo, num dia de julho, num dia de praça, de vinho, de frio e de paz.





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