"Belezas são coisas acesas por dentro..."
(Gal)
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................................................... Ensaios e experimentos no universo das artes .............................................................
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
TODA PAIXÃO
Toda paixão é labirinto
onde se perdem ateus e santos,
onde caravelas e jangadas precárias
desafiam a fúria insensata dos oceanos.
Sem mapas, sextantes, bússolas ou planos,
as paixões navegam cegas e loucas
acreditando que a pele é sempre a melhor roupa
enquanto exilam as próprias línguas nos céus de outras bocas.
Toda paixão quer ser eterna.
como as manhãs que rasgam a noite fria,
como alegria instantânea do sorriso
preso no retângulo da fotografia.
Por isso toda paixão odeia o tempo
que vive entre os números do relógio prisioneiro,
desorienta, ilude e faz os amantes acreditarem
que a hora é só uma mentira de ponteiros.
Toda Paixão (Mauro Iasi)
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onde se perdem ateus e santos,
onde caravelas e jangadas precárias
desafiam a fúria insensata dos oceanos.
Sem mapas, sextantes, bússolas ou planos,
as paixões navegam cegas e loucas
acreditando que a pele é sempre a melhor roupa
enquanto exilam as próprias línguas nos céus de outras bocas.
Toda paixão quer ser eterna.
como as manhãs que rasgam a noite fria,
como alegria instantânea do sorriso
preso no retângulo da fotografia.
Por isso toda paixão odeia o tempo
que vive entre os números do relógio prisioneiro,
desorienta, ilude e faz os amantes acreditarem
que a hora é só uma mentira de ponteiros.
Toda Paixão (Mauro Iasi)
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quarta-feira, 29 de junho de 2011
DESFEITO EM LÁGRIMAS

Chorar. Ser tomado por uma lancinante e profunda vontade de chorar, ser perfurado por esta vontade, liquefazer-se, tornar-se líquido, tornar líquida a dor, desabar-se, entregar-se convulsivamente ao choro.
Deixar-se ser levado pela enxurrada que leva consigo os pilares de um mundo desmoronado. Desfazer-se em lágrimas.
Pausa para fluconazóis, nistatinas. Orientações.
Ninguém sabe desta dor do pranto.
Esvair-se, esconder-se no sumiço, diminmuir-se, encolher-se. Encolhe-se o corpo. Encolhe-se todo.
Chorar. É arrancar-lhe do peito um pedaço muito seu, é alcançar o umbigo da alma e roubar-lhe a estranha certeza de que tudo está bem.
Pausa para amigdalites, amoxicilinas, dipironas. Orientações.
O choro não espera.
Desfeito em lágrimas. Desfeito, defeito. Desfeito o defeito: refeito.
Imagem: "Mulher chorando" (Pablo Picasso)
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quinta-feira, 14 de abril de 2011
Fragmentos e enxertos
A presença real do amado: uma força
"Ora, ‘real’ não significa uma pessoa [real, da realidade], mas aquilo que, dessa pessoa, desperta (...) uma força que faz com que eu seja o que eu sou e sem a qual eu não mais seria consistente. O real é simplesmente a vida no outro, a força de vida que anima e atravessa o seu corpo. É muito difícil distinguir nitidamente essa força que emana [do amado] (...) dessa outra força em mim (...). Muito difícil, na medida em que essas forças, na verdade, são uma mesma e única coluna energética, um eixo vital e impessoal que não pertence nem a um nem ao outro parceiro. Difícil também porque essa força única não tem nenhum símbolo nem representação que possa significá-la. (...) O real é irrepresentável, [é] a energia que garante (...) a consistência (...) do laço comum de amor [dos parceiros]."
A presença simbólica do amado: um ritmo
“... se o estatuto real [do amado] é ser uma força estranha que liga como uma ponte de energia os dois parceiros (...), o estatuto simbólico [do amado] é ser o ritmo dessa força. (...) O ritmo é, efetivamente, a mais primitiva expressão simbólica do desejo (...). A força de impulsão desejante é real porque é em si irrepresentável, mas as variações rítmicas dessa força são simbólicas, porque são, ao contrário, representáveis. (...) Se considero [o amado] insubstituível, é porque meu desejo se modelou progressivamente pelas sinuosidades do fluxo vibrante do seu próprio desejo. Ele é considerado insubstituível porque ninguém mais poderia acompanhar tão finamente o ritmo do meu desejo. (...) Como se as pulsações da sua sensibilidade dançassem na mesma cadência que as minhas próprias pulsações (...). Assim a cadência do seu desejo se harmoniza com a minha própria cadência, e cada uma das variações da sua tensão responde em eco a cada uma das minhas. Algumas vezes, o encontro é suave e progressivo; outras, violento e imediato. Entretanto (...) as satisfações resultantes continuam sendo para cada um dos parceiros satisfações sempre singulares, parciais e discordantes. Nossas trocas se afinam, mas nossas satisfações desafinam. Elas desafinam, porque são obtidas por ocasião de momentos diferentes e em intensidades desiguais [afinal, como seres humanos, são inevitavelmente pessoas diferentes e desiguais]”
Trechos de "O Livro da Dor e do Amor", de J.-D. Nasio ...
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Bom é...
Amor eterno
Amor perdido
Amor-perfeito
Amor devido
Amor cego
Amor visível
Amor palpável
Amor perigo
...
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Bom mesmo é amor vivido
Priscila Catão
17/07/03
17h
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Amor perdido
Amor-perfeito
Amor devido
Amor cego
Amor visível
Amor palpável
Amor perigo
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Bom mesmo é amor vivido
Priscila Catão
17/07/03
17h
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Desdobramentos
A sensibilidade que se traduz assim...
Valeu, Andréa, por tudo, por muito...
Eis que o papel no acaso se tornou. De uma vez se fez um alguém, e enquanto as palavras traduziam-se em possibilidades, as ruas se escreviam como palavras. A luz cedeu lugar ao encontro. Casas transformaram-se em gestos, portões em emoções. Cores refizeram-se sensações. O que era certo virou raro, e inexato fez-se singular. Abrigado converteu-se em construído. A beleza se assumiu como clareza. O fiel se concretizou sublime. O sonho acordou e logo tratou de tornar-se realidade. Foi aí que a escrita revelou-se afinidade, o tempo ocupou-se de ser sentido, e o amor, transcendendo, declarou-se amizade.
(Andréa Silveira)
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Valeu, Andréa, por tudo, por muito...
Eis que o papel no acaso se tornou. De uma vez se fez um alguém, e enquanto as palavras traduziam-se em possibilidades, as ruas se escreviam como palavras. A luz cedeu lugar ao encontro. Casas transformaram-se em gestos, portões em emoções. Cores refizeram-se sensações. O que era certo virou raro, e inexato fez-se singular. Abrigado converteu-se em construído. A beleza se assumiu como clareza. O fiel se concretizou sublime. O sonho acordou e logo tratou de tornar-se realidade. Foi aí que a escrita revelou-se afinidade, o tempo ocupou-se de ser sentido, e o amor, transcendendo, declarou-se amizade.
(Andréa Silveira)
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quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Revolução das Letras
Texto usado no artigo "Sublima-dor: considerações sobre dor e sublimação nos limites do pulsional", com a proposta de uma escrita que dá margem a outras significações, quando se faz a substituição das palavras à revelia dos seus desejos.
REVOLUÇÃO DAS LETRAS
Papel quis ser desencontro, viveiro transformou-se em silêncio. Abismo fez as vezes da luz, uma vez que vez cismou em ser morte. Ruas transfiguraram-se em letras, casas optaram por ser restos. Portões viraram buracos, e cores se firmaram como vazios. Certo decidiu ser cego. Escrita insistiu em ser dor. Abrigado se fez perdido. Caminho tomou o lugar da beleza. Nada substituiu o sonho. Fiel acabou sendo cruel. O amor fugiu e foi ser tempo. Enciumado, o tempo converteu-se em amor.
Assim sendo...
Era uma vez...
Um viveiro de palavras
Um distraído papel e...
Luz!
Por entre as ruas
Casas se espalham
Abrem seus portões
Criam cores infindas
Revelam o ponto certo
De um espaço abrigado
Na beleza entre o dito
E o que há de ser dito.
Nesse espaço
Surge ela.
É a escrita que vem
Essa escrita que não cala
Que gravita o sonho
No fiel tempo inexato do amor.
Priscila Catão
23/08/10
23h58
REVOLUÇÃO DAS LETRAS
Papel quis ser desencontro, viveiro transformou-se em silêncio. Abismo fez as vezes da luz, uma vez que vez cismou em ser morte. Ruas transfiguraram-se em letras, casas optaram por ser restos. Portões viraram buracos, e cores se firmaram como vazios. Certo decidiu ser cego. Escrita insistiu em ser dor. Abrigado se fez perdido. Caminho tomou o lugar da beleza. Nada substituiu o sonho. Fiel acabou sendo cruel. O amor fugiu e foi ser tempo. Enciumado, o tempo converteu-se em amor.
Assim sendo...
Era uma vez...
Um viveiro de palavras
Um distraído papel e...
Luz!
Por entre as ruas
Casas se espalham
Abrem seus portões
Criam cores infindas
Revelam o ponto certo
De um espaço abrigado
Na beleza entre o dito
E o que há de ser dito.
Nesse espaço
Surge ela.
É a escrita que vem
Essa escrita que não cala
Que gravita o sonho
No fiel tempo inexato do amor.
Priscila Catão
23/08/10
23h58
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
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Há algo que jamais se esclareceu
Onde foi exatamente que larguei
Naquele dia mesmo
O leão que sempre cavalguei
Lá mesmo esqueci que o destino
Sempre me quis só
No deserto sem saudade, sem remorso só
Sem amarras, barco embriagado ao mar
Inverno
(Adriana Calcanhotto)
Onde foi exatamente que larguei
Naquele dia mesmo
O leão que sempre cavalguei
Lá mesmo esqueci que o destino
Sempre me quis só
No deserto sem saudade, sem remorso só
Sem amarras, barco embriagado ao mar
Inverno
(Adriana Calcanhotto)
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